quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vem aí o "Mecanismos Precários"



E graças apoio de todos os amigos e mentores, chego ao meu terceiro livro. Trata-se da antologia de contos "Mecanismos Precários", organizada por Nelson de Oliveira e Claudio Brites para a editora Terracota, que será lançada no sábado 11 de setembro (em alusão à data, um lançamento "bombástico"), com direito a coquetel e show de jazz.

São textos de colegas da pós graduação Criação Literária da Unicsul em parceria com a editora Terracota e de alguns dos nossos mestres, escritores já consagrados. Vejam só que time! Um privilégio e uma honra estar ao lado deles. Espero contar com a presença de todos vocês.

(*) atenção, não é este próximo sábado, é no outro, dia 11 de setembro!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O corpo fala



Ninguém ignora que a poesia é uma solidão espantosa,
Uma maldição de nascença, uma doença da alma.
(Jean Cocteau)


Quando a alma entristece, o corpo adoece.
E quando a boca cala, o corpo fala.
O nariz escorre quando não se permite chorar.
A garganta fecha
quando não consegue falar das aflições
A ansiedade impede de respirar.
O estômago arde quando a raiva surge e não consegue sair
O diabetes invade quando a solidão dói
A culpa adoece os rins.
Doenças pélvicas surgem de relacionamentos corrosivos
O corpo engorda quando a insatisfação aperta
E perde peso quando acaba o interesse.
Sentimentos negativos trazem a dor de cabeça que deprime
A alergia é fruto da intolerância e do perfeccionismo.
As unhas quebram quando se perde a força
O peito aperta quando o orgulho escraviza
O coração infarta quando não há como lidar com a ingratidão.
A pressão sobe quando o medo aprisiona
As neuroses paralisam quando o “eu” tiraniza
A febre surge quando a imunidade é ameaçada.
O coração desiste quando viver não faz mais sentido
O que adoece não é a só dor, a ausência, a saudade
Mas também a eterna escolha do papel de vitima.
Em alguns casos, o mal pode estar no excesso de orgulho
Ou na necessidade de controle.
Tentar compreender o que de verdade nos aflige
é um passo para começar a lidar com os problemas,
antes de interiorizar as dores da alma.
“Na vida, cada um escolhe o que plantar,
mas deve ter consciência que é isso que irá colher”.

Li algo parecido na sala de espera de um espaço terapêutico, e este texto é uma espécie de reflexão a respeito.

(*) Imagem de 1981 do francês Jean Fabre

terça-feira, 27 de julho de 2010

Teimosia




falta assunto


ou coragem


lábio mudo


falta graça


falta ouvido


só pirraça


teimosia


em fazer


verso sujo


pra deixar


só falar


este coração


repartido


picotado


que mais uma


vez caiu


na conversa


da paixão.



tão horrível


fazer versos


previsíveis!





(*) Tela de Octavio Ocampo, pintor mexicano nascido em 1943

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Incredulidade


Hoje, quando um goleiro ídolo e de fama internacional mata uma garota por conta de uma pensão, eu só consigo me perguntar: prá que? poder gastar com outras coisas?

E mais do que nunca me vem a poesia de Chico César na canção De uns tempos prá cá


Coisas são só coisas/ servem só pra tropeçar /

têm seu brilho no começo/

mas se viro pelo avesso / são fardo pra carregar.

Enquanto isso, meu coração segue em luto por Elisas, Mércias e Isabelas, abatidas em sua fragilidade por aqueles em quem um dia confiaram.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

As mais péssimas cantadas - parte 2


Vocês curtiram. Então, posto aqui mais vinte cantadas esdrúxulas só para diversão. Mais adiante trarei uma listinha de respostas inteligentes. Quem souber de outras pode colaborar nesta lista das piores cantadas jamais ouvidas.


1) Ele: Oi! (se você não responder) Ele: Cuidado para não tropeçar no orgulho e cair nos meus braços, heim?

2) Não sou Casas Bahia, mas minha dedicação é total a você!

3) Não sou do Itaú, mas fui feito para você!

4) Não sou o que você pensa, mas tenho o que você gosta.

5) Ele: Você é colher? Você: Não, por que? Ele: Porque eu estou de dando sopa.

6) Você não trabalha na Fiat, mas é o meu Stilo.

7) Sou a favor da ecologia, mas adoro afogar o ganso.

8) Existem dois tipos de mulheres: as que me amam e as que não me conhecem. Muito prazer!

9) Ele: Hoje é seu aniversário? Você: Não, por que? Ele: Porque você está de parabéns.

10) Posso te dar um beijo? Se você não gostar, é só me devolver.

11) Ele: Posso ficar aqui, conversando com você? Você: Não,minha mãe me disse para não falar com estranhos. Ele: Não por isso, prazer 'fulano'. Pronto, agora eu posso...

12) Seu pai só pode trabalhar no Google, porque acabei de achar tudo que eu estava procurando.

13) Me diz o caminho do seu coração para eu pegar o ônibus na rodoviária.

14) Você se machucou? Pois parece um anjo que caiu do céu.

15) Já foi no veterinário hoje, gatinha?

16) Perdi meu número de telefone, me empresta o seu?

17) Já estou aqui, quais são seus outros dois desejos?

18) Procurei "deusa" no Aurélio e seu nome estava incluído.

19) Você acredita em amor à primeira vista ou devo passar por aqui mais uma vez?


20) Se você fosse de chocolate eu te mordia aos poucos.



(*) Só mesmo as caricaturas do Manfred Deix para ilustrar tanto absurdo.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O dia D de Alice

O olho molhado de Alice
ilha úmida de azul
é um vidro que revela
todo seu leve sentir

Mas ontem
não sei o que aconteceu
o olho molhado de Alice
esteve encoberto
para pousos e decolagens

Perdeu a luz, perdeu o brilho
a alegria, o desvario
era como se saísse
mesmo ali ela estando

Foi tudo muito sutil
e pode parecer sandice
mas eu juro
algo mudou em Alice

(*) Trabalho do pintor surrealista belga Renée Magrite (1898-1967)


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ouvir do ídolo

De 7 a 10 de junho, das 19h30 às 21h, Vinícius de Moraes, Paulo Leminski, Clarice Lispector e Erico Verissimo serão relidos por Carlos Felipe Moisés, Ademir Assunção, Nelson de Oliveira e Jeanette Rozsas.
Local: Espaço Terracota, Av. Lins de Vasconcelos, 1886, Vila Mariana – São Paulo – SP
Tel.: 2645-0549

Valor: R$ 35, cada palestra, ou R$ 100 pelos quatro encontros.
Informações http://terracotaeditora.com.br/